Dear White People: por que a série incomoda?

DEAR WHITE PEOPLE

 

Eu não assisti o filme ainda, mas pretendo fazê-lo. No entanto, por questões de comodidade, maratonei a série da Netflix em um dia…. os capítulos são pequenos, apenas cerca de 30 minutos cada, em um total de 10. Ao final, pensei: por que essa série incomodou tanta gente? E várias respostas vieram à minha cabeça. A série é muito boa, com boa qualidade técnica e roteiro correto. Não é nenhuma obra prima do gênero, mas entrega o que promete. As personagens se veem envolvidas em tramas cotidianas e muito reais, muito próximas do que muitos já viveram ou simplesmente assistiram como observadores diletantes (referência: As Flores do Mal – Charles Baudelaire).

É bastante difícil digerir uma produção que lhe mostra (como um tapa no rosto) o quanto você é parte de um problema que muitos insistem em negar… “Eu não sou racista, até tenho amigos negros…! Quantas vezes ouvimos essa frase? Ou ainda: essa menina ou esse rapaz não é negra(o) / essas “ditas” minorias sobrevivem através do vitimismo… / vai trabalhar para ser reconhecido como profissional, a cor da sua pele não quer dizer nada…

Enfim, muitos são os exemplos. Mas ser acusado de racismo ofende a todos. Ninguém é racista, o problema do Brasil é social e não étnico…

Ok. Então por que se incomodar com a série e até mesmo acusa-la de “racismo reverso”? Aliás, um termo que até hoje não consegui entender o que significa. A verdade é nua e crua, concordem ou discordem os que quiserem. O fato é: EXISTE racismo sim, ele somente será enfrentado quando reconhecermos isso. E os brancos nunca saberão como é ser discriminado pela cor da pele, muito menos poderão dizer “eu lhe entendo” de maneira totalmente verídica. Nunca entenderemos isso. Sou branca, em um país onde a cor da pele é o critério básico para se definir como branco ou negro. Em um país europeu, seria considerada negra apesar da cor da minha pele. Mas como vivemos no Brasil, partamos do princípio “classificatório” que aqui existe. Quantas vezes você atravessou a rua ao ver um adolescente negro vindo em sua direção? Quantas vezes fez o mesmo ao ver um adolescente branco prestes a lhe abordar? Quantas vezes você deu razão à polícia ao ferir ou até mesmo matar um negro que estava correndo ou agindo suspeitamente? Sem sequer ouvir o restante da história? Quantas vezes você deixou de se indignar quando um branco foi morto pela mesma polícia sem motivo aparente?

Realmente, Dear White People incomoda. Incomoda porque levanta a possibilidade de que todos nós, direta ou indiretamente, compactuamos com situações diversas de discriminação em momentos específicos ou genéricos. Incomoda porque também aborda como muitos dos que defendem e militam por uma causa acabam também por se tornarem opressores. Incomoda porque deixa uma pergunta que somente a sua consciência pode responder: o que sou eu nesse contexto? O que significa minha luta ou meu silêncio ou minha indignação ou meu incômodo? Dear White People, lidemos com isso! Boa noite e Boa Sorte!!!!!

Nota: 

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About The Author

Historiadora, grande fã da cultura pop em geral, apaixonada por quadrinhos (principalmente Vertigo), séries e filmes nerds e geeks, literatura francesa e inglesa dos séculos XIX e XX, Trekker por convicção. A Morte (Sandman) me define!

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