Quadrinhos contra a LGBTTQfobia

Hoje, dia 17 de maio, é um dia de destaque dentre todos os dias em que todos os LGBTTQ’s lutam contra a repressão e o preconceito da sociedade. No meio Nerd isso não é diferente! Queria eu que isso fosse algo para apenas esquecermos que já existiu, porém lido a cada dia comigo mesmo e com toda a carga cultural negativa em que vivo no meu meio mais comum, o meio Nerd/Geek.

Não tentarei falar sobre o que os LGBTTQ’S passam, não tenho como, mas sim como os Quadrinhos me deram a oportunidade de me descontruir e como eles me fizeram uma pessoa melhor.

Acho que a primeira grande mudança foi conhecer leitores homossexuais, pois até então eu não imaginava que haveria esse interesse por parte do meio LGBTTQ. Pode soar estranho, mas na época isso nunca passou pela minha cabeça, eu não encarava que HQs são um meio de comunicação livre, de expressão e de combate ao preconceito. Para mim eram só histórias e, geralmente, eu lia sozinho e por muitas vezes escondia esse hábito.

Quando me aprofundei nas HQs independentes, um amigo, o Rapha, que hoje também é do HQueijo e faz parte do Bear Nerd, me indicou “Dora”, da Bianca Pinheiro. Já comecei quebrando a cara, pois li uma HQ feita por uma mulher. Uma HQ muito foda!

Daí fui me aprofundando e lendo HQs com outros temas fora COMICS, fora principalmente as editoras Marvel e DC. Li Memória de Elefante, do Caeto; li também Encruzilhada do Marcelo D’Salete e várias outras que ainda não eram de fato hqs ligadas aos temas LGBTTQ, mas que abriram a minha mente para o que há de  expressivo e de luta contra preconceitos nas HQ’s. E assim caminhei até chegar em um compilado que na verdade é mais do que uma HQ,  o livro de “Memória e Políticas das Mulheres nos Quadrinhos”, o livro RISCA, idealizado e realizado pelo Coletivo Lady’s Comics.

Nesse material, encontrei uma expressividade como um grito uníssono de todas as participantes. Nele, li sobre Quadrinistas Trans, Empoderamento, Aborto, o uso dos quadrinhos como documentação, reflexão e denúncias. Conheci muitas autoras e entendi um pouco mais sobre o que era a luta contra o preconceito. O Livro foi tão positivo que o evento de lançamento tomou uma proporção enorme e merecida. Mesmo com poucas pessoas no primeiro encontro, o Lady’s Comics foi levado ao FIQ de 2015 e no ano seguinte ganhou o seu próprio evento, realizado em conjunto com Festival Internacional de Quadrinhos: o “Segundo Encontro Lady’s Comics”.

Nesse evento, foram ministradas várias palestras e passamos por processos de muita, mas muita desconstrução. Participei com a equipe do HQueijo cobrindo o evento, porém aproveitei cada momento para aprender.

Lá estavam quadrinistas de outros estados, de outros países, exposições, debates e o melhor, lá estava eu, um homem, com uma imensa receptividade como nunca tive em outro lugar! Eu estava com medo no primeiro dia, mas fui tão bem recebido com minhas dúvidas que absorvi não só o evento, mas parte da vida daquelas pessoas que estavam palestrando, escrevendo e desenhando.

O conjunto de benefícios por participar desse evento me fez perceber que anos da minha vida estive cego e sem conhecimento sobre a luta que as mulheres e os LGBTTSQ’s travam diariamente.

Hoje, no HQueijo, tenho a oportunidade de conhecer várias pessoas, entre clientes, artistas e o público online. Hoje vejo que o nosso público LGBTTQ é bem Nerd mesmo, e assim continuo aprendendo e desconstruindo toda a forma de preconceito, absorvida durante anos.

No dia de hoje, convido você, caro leitor, a procurar mais sobre o assunto, a abrir sua mente e coração para receber o próximo e junto dele lutar contra esse mal, que é o preconceito.

 

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