Vamos falar sobre Preacher?

Quem ainda não leu a HQ, fica aqui uma forte recomendação. Com roteiro de Garth Ennis e traço de Steve Dillon, Preacher nos descortina um universo sombrio e complexo.  Para os menos atentos, Preacher pode soar como um amontoado de piadas e situações de mau gosto, beirando o sexismo, o machismo, a violência desnecessária e o preconceito. No entanto, como muitas obras de arte, a HQ propõe exatamente o inverso. Em uma sequência de situações, a dualidade humana é exposta, a complexidade do comportamento dos personagens é exacerbada e se revela como um tapa na cara da hipocrisia. Nesse contexto, Jesse Custer surge como aquele que, mesmo cheio de “pecados cristãos”, vive e sobrevive em nome de uma missão: questionar pessoalmente Deus, que ao que tudo indicava havia abandonado a sua criação (a humanidade) à sua própria sorte. Em nome dessa missão, ele decide não abusar de seu poder para que não se sinta desautorizado por sua própria consciência.

Mas, qual o poder de Jesse e por que ele o possui? O poder é a persuasão e convencimento adquirido no momento em que ele se fundiu com uma entidade, Gênesis, que seria o fruto do envolvimento entre um ser celestial (um anjo) e um demônio… Gênesis escapou de sua prisão no Céu e foi para a Terra em busca de uma alma humana, onde acabou  encontrando Jesse, um pregador religioso com um passado sombrio.

Aqui, fazemos a transição da HQ para a série de TV produzida pela AMC, que estreou essa semana nos EUA. Confesso que estava com muito receio dessa série, tendo em vista o desenrolar de Lúcifer, que fugiu muito da essência da HQ (apesar de ser uma série muito divertida com atuação primorosa do ator protagonista, Tom Ellis). No entanto, fiquei muito bem impactada com o episódio piloto. Apesar de algumas mudanças em relação aos quadrinhos (o que é perfeitamente compreensível), Preacher não feriu a mitologia do personagem, pelo menos não nesse primeiro episódio. O ator protagonista, Dominic cooper, soube dar profundidade ao personagem, demonstrando competência no tratamento dos conflitos de Jesse Custer. Tulip, ex-namorada de Jesse, aparece como uma mulher forte e determinada, muito mais do que nos quadrinhos. Temos ainda o vampiro Cassidy, que ganhou um destaque maior do que o mostrado na HQ quando de sua aparição. Mas talvez o destaque desse piloto seja mesmo a caracterização do “Cara de Cú”….. um primoroso trabalho de maquiagem, que nos remete imediatamente ao personagem dos quadrinhos. Resta-nos agora torcer para que os episódios subsequentes sejam tão bons quanto o piloto e mais, que superem o mesmo. Nós, fãs geeks e nerds, merecemos mais produções desse nível!!!!!!

Bem, termino aqui instando que os admiradores de Preacher e os neófitos que desejam conhecer um pouco mais dessa fascinante história assistam a esse piloto. Eu não me arrependi. Boa diversão!!!!!!

About The Author

Historiadora, grande fã da cultura pop em geral, apaixonada por quadrinhos (principalmente Vertigo), séries e filmes nerds e geeks, literatura francesa e inglesa dos séculos XIX e XX, Trekker por convicção. A Morte (Sandman) me define!

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1 Comment

  1. Rafael Alisson

    Descobri o site esse mês estou lendo algumas resenhas do selo vertigo me deparei com essa resenha sobre Preacher, ficou muito boa excelente texto.

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